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A Eucaristia no Catecismo
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
SEGUNDA PARTE
A CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO CRISTÃO
ARTIGO 3
O SACRAMENTO DA EUCARISTIA.
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1322 |
A santa Eucaristia conclui a iniciação cristã. Os que foram elevados à dignidade do sacerdócio régio pelo
Batismo e configurados mais profundamente a Cristo pela Confirmação, estes, por meio da Eucaristia,
participam com toda a comunidade do próprio sacrifício do Senhor.
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1323 |
“Na última ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu
Corpo e Sangue. Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o sacrifício da cruz, confiando destarte à
Igreja, sua dileta esposa, o memorial de sua morte e ressurreição: sacramento da piedade, sinal da
unidade, vínculo da caridade, banquete pascal em que Cristo é recebido como alimento, o espírito é
cumulado de graça e nos é dado o penhor da glória futura .”
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I. A Eucaristia - fonte e ápice da vida eclesial
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1324 |
A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã ”. “Os demais sacramentos, assim como todos os
ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a
santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa .”
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1325 |
“A comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus, pelas quais a Igreja é ela mesma, a Eucaristia
as significa e as realiza. Nela está o clímax tanto da ação pela qual, em Cristo, Deus santifica o mundo,
como do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por ele, ao Pai .”
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1326 |
Finalmente, pela Celebração Eucarística ]a nos unimos a liturgia do céu e antecipamos a vida eterna,
quando Deus ser tudo em todos (1Cor 15,28).
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1327 |
Em sua palavra, a Eucaristia é o resumo e a suma de nossa fé: “Nossa maneira de pensar concorda com a
Eucaristia, e a Eucaristia, por sua vez, confirma nossa maneira de pensar ”.
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II. Como se chama este sacramento?
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1328 |
A riqueza inesgotável deste sacramento exprime-se nos diversos nomes que lhe são dados. Cada uma destas
designações evoca alguns de seus aspectos. Ele é chamado: Eucaristia, porque é ação de graças a
Deus. As palavras “eucharistein” (Lc 22,19; 1 Cor 11,24) e “eulogein” (Mt 26,26; Mc 14,22) lembram as
bênçãos judaicas que proclamam sobretudo durante a refeição as obras de Deus: a criação, a redenção e a
santificação.
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1329 |
Ceia do Senhor, pois se trata da ceia que o Senhor fez com seus discípulos na véspera de sua
paixão, e da antecipação da ceia das bodas do Cordeiro na Jerusalém celeste. Fração do Pão,
porque este rito, próprio da refeição judaica, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão
como presidente da mesa, sobretudo por da ocasião. Ultima Ceia . É por este gesto que os discípulos o
reconhecerão após a ressurreição, e é com esta expressão que os primeiros cristãos designarão suas
assembléias eucarísticas. Com isso querem dizer que todos os que comem do único pão partido, Cristo,
entram em comunhão com ele e já não formam senão um só corpo nele. Assembléia eucarística
(synaxxis, pronuncie “sináxis”), porque a Eucaristia é celebrada na assembléia dos fiéis, expressão
visível da Igreja .
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1330 |
Memorial da Paixão e da Ressurreição do Senhor. Santo Sacrifício, porque atualiza o único
sacrifício de Cristo Salvador e inclui a oferenda da Igreja; ou também santo sacrifício da Missa,
“sacrifício de louvor” (Hb 13,15 ), sacrifício espiritual , sacrifício puro e santo, pois realiza e supera
todos os sacrifícios da Antiga Aliança.Santa e divina Liturgia, porque toda a liturgia da Igreja
encontra seu centro e sua expressão mais densa na celebração deste sacramento; é no mesmo sentido que se
chama também celebração dos Santos Mistérios. Fala-se também do Santíssimo Sacramento, porque é o
sacramento dos sacramentos. Com esta denominação designam-se as espécies eucarísticas guardadas no
tabernáculo.
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1331 |
Comunhão, porque é por este sacramento que nos unimos a Cristo, que nos toma participantes de seu
Corpo e de seu Sangue para formarmos um só corpo ; denomina-se ainda as “coisas santas: ta hagia
(pronuncia-se “ta háguia” e significa “coisas santas ”); - sancta (coisas santas” este é o sentido
primeiro da “comunhão dos santos” de que fala o Símbolo dos Apóstolos - pão dos anjos, pão do céu, remédio
de imortalidade , viático...
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1332 |
Santa Missa, porque a liturgia na qual se realizou o mistério da salvação termina com o envio dos fiéis
(“missio”: missão, envio) para que cumpram a vontade de Deus em sua vida cotidiana.
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III. A Eucaristia na economia da salvação
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OS SINAIS DO PÃO E DO VINHO
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1333 |
Encontram-se no cerne da celebração da Eucaristia o pão e o vinho, os quais, pelas palavras de Cristo e
pela invocação do Espírito Santo, se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo. Fiel à ordem do Senhor, a Igreja
continua fazendo, em sua memória, até a sua volta gloriosa, o que ele fez na véspera de sua paixão: “Tomou
o pão...” “Tomou o cálice cheio de vinho...” Ao se tomarem misteriosamente o Corpo e o Sangue de Cristo,
os sinais do pão e do vinho continuam a significar também a bondade da criação. Assim, no ofertório damos
graças ao Criador pelo pão e pelo vinho, fruto “do trabalho do homem”, mas antes “fruto da terra” e “da
videira”, dons do Criador. A Igreja vê neste gesto de Melquisedec, rei e sacerdote, que “trouxe pão e
vinho” (Gn 14,18), uma prefiguração de sua própria oferta.
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1334 |
Na antiga aliança, o pão e o vinho são oferecidos em sacrifício entre as primícias da terra, em sinal de
reconhecimento ao Criador. Mas eles recebem também um novo significado no contexto do êxodo: os pães
ázimos que Israel come cada ano na Páscoa comemoram a pressa da partida libertadora do Egito; a recordação
do maná do deserto há de lembrar sempre a Israel que ele vive do pão da Palavra de Deus . Finalmente, o
pão de todos os dias é o fruto da Terra Prometida, penhor da fidelidade de Deus às suas promessas. O
“cálice de bênção” (1Cor 10,16), no fim da refeição pascal dos judeus, acrescenta à alegria festiva do
vinho uma dimensão escatológica: da espera messiânica do restabelecimento de Jerusalém. Jesus instituiu
sua Eucaristia dando um sentido novo e definitivo à bênção do Pão e do Cálice.
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1335 |
O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor proferiu a bênção, partiu e distribuiu os pães a seus
discípulos para alimentar a multidão, prefigura a superabundância deste único pão de sua Eucaristia . O
sinal da água transformada em vinho em Caná já anuncia a hora da glorificação de Jesus. Manifesta a
realização da ceia das bodas no Reino do Pai, onde os fiéis beberão o vinho novo , transformado no Sangue
de Cristo.
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1336 |
O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, assim como o anúncio da paixão os escandalizou:
“Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?” (Jo 6,60). A Eucaristia e a cruz são pedras de tropeço. É o
mesmo mistério, e ele não cessa de ser ocasião de divisão. “Vós também quereis ir embora?” (Jo 6,67). Esta
pergunta do Senhor ressoa através dos séculos como convite de seu amor a descobrir que só Ele tem “as
palavras da vida eterna” (Jo 6,68) e que acolher na fé o dom de sua Eucaristia é acolher a Ele mesmo.
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A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA
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1337 |
Tendo amado os seus, o Senhor amou-os até o fim. Sabendo que chegara a hora de partir deste mundo para
voltar a seu Pai, no decurso de uma refeição lavou-lhes os pés e deu-lhes o mandamento do amor . Para
deixar-lhes uma garantia deste amor, para nunca afastar-se dos seus e para fazê-los participantes de sua
Páscoa, instituiu a Eucaristia como memória de sua morte e de sua ressurreição, e ordenou a seus apóstolos
que a celebrassem até a sua volta, “constituindo-os então sacerdotes do Novo Testamento”.
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1338 |
Os três Evangelhos sinópticos e São Paulo nos transmitiram o relato da instituição da Eucaristia; por sua
vez, São João nos relata as palavras de Jesus na sinagoga de Cafarnaum, palavras que preparam a
instituição da Eucaristia: Cristo designa-se como o pão da vida, descido do Céu .
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1339 |
Jesus escolheu o tempo da Páscoa para realizar o que tinha anunciado em Cafarnaum: dar a seus discípulos
seu Corpo e seu Sangue: Veio o dia dos ázimos, quando devia ser imolada a páscoa. Jesus enviou então Pedro
e João, dizendo: “Ide preparar-nos a Páscoa para comermos” ... Eles foram (...) e prepararam a Páscoa.
Quando chegou a hora, ele se pôs à mesa com seus apóstolos e disse-lhes: “Desejei ardentemente comer esta
páscoa convosco antes de sofrer; pois eu vos digo que já não a comerei até que ela se cumpra no Reino de
Deus”... E tomou um pão, deu graças, partiu-o e distribuiu-o a eles dizendo: “Isto é o meu corpo que é
dado por vós. Fazei isto em minha memória”. E, depois de comer, fez o mesmo com o cálice dizendo: “Este
cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado em favor de vós” (Lc 22,7-20 ).
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1340 |
Ao celebrar a última Ceia com seus apóstolos durante a refeição pascal, Jesus deu seu sentido definitivo
à páscoa judaica. Com efeito, a passagem de Jesus a seu Pai por sua Morte e sua Ressurreição, a Páscoa
nova, é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia que realiza a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa
final da Igreja na glória do Reino.
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“FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”
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1341 |
O mandamento de Jesus de repetir seus gestos e suas palavras “até que ele volte” não pede somente que se
recorde de Jesus e do que ele fez. Visa á celebração litúrgica, pelos apóstolos e seus sucessores, do
memorial de Cristo, de sua vida, de sua Morte, de sua Ressurreição e de sua intercessão junto ao Pai.
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1342 |
Desde o início, a Igreja foi fiel ao mandato do Senhor. Da Igreja de Jerusalém se diz: Eles eram
perseverantes ao ensinamento dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações. (...) Dia
após dia, unânimes, mostravam-se assíduos no templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com
alegria e simplicidade de coração (At 2,42.46).
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1343 |
Era sobretudo “no primeiro dia da semana”, isto é, no domingo, o dia da Ressurreição de Jesus, que os
cristãos se reuniam “para partir o pão” (At 20,7). Desde aqueles tempos até os nossos dias, a celebração
da Eucaristia perpetuou-se, de sorte que hoje a encontramos em toda parte na Igreja, com a mesma estrutura
fundamental. Ela continua sendo o centro da vida da Igreja.
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1344 |
Assim , de celebração em celebração, anunciando o Mistério Pascal de Jesus “até que ele venha” (1 Cor
11,26), o povo de Deus em peregrinação “avança pela porta estreita da cruz ” em direção ao banquete
celeste, quando todos os eleitos se sentarão à mesa do Reino.
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IV. A celebração litúrgica da Eucaristia
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A MISSA DE TODOS OS SÉCULOS
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1345 |
Desde o século II temos o testemunho de S. Justino Mártir sobre as grandes linhas do desenrolar da
Celebração Eucarística, que permaneceram as mesmas até os nossos dias para todas as grandes famílias
litúrgicas. Assim escreve, pelo ano de 155, para explicar ao imperador pagão Antonino Pio (138-161) o que
os cristãos fazem:
“No dia 'do Sol', como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes,
quer das cidades, quer dos campos. Lêem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos
Apóstolos, ora os escritos dos Profetas. Depois, quando o leitor terminou, o que preside toma a palavra
para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. A seguir, pomo-nos todos de pé e
elevamos nossas preces por nós mesmos (...) e por todos os outros, onde quer que estejam, a fim de sermos
de fato justos por nossa vida e por nossas ações, e fiéis aos mandamentos, para assim obtermos a salvação
eterna. Quando as orações terminaram, saudamo-nos uns aos outros com um ósculo. Em seguida, leva-se àquele
que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados. Ele os toma e faz subir louvor e
glória ao Pai do universo, no nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharístia, que
significa 'ação de graças' longamente pelo fato de termos sido julgados dignos destes dons. Terminadas as
orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o
presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos
distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água 'eucaristizados' e levam (também) aos
ausentes”.
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1346 |
A liturgia da Eucaristia desenrola-se segundo uma estrutura fundamental que se momentos que formam uma
unidade básica:
- a convocação, a Liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal;
- a Liturgia Eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a ação de graças consecratória e a
comunhão.
Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística constituem juntas “um só e mesmo ato do culto ”; com efeito, a
mesa preparada para nós na Eucaristia é ao mesmo tempo a da Palavra de Deus e a do Corpo do Senhor .
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1347 |
Por acaso não é exatamente esta a seqüência da Ceia Pascal de Jesus ressuscitado com seus discípulos?
Estando a caminho, explicou-lhes as Escrituras, e em seguida, colocando-se à mesa com eles, “tomou o pão,
abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o a eles ”.
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A SEQÜÊNCIA DA CELEBRAÇÃO
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1348 |
Todos se reúnem. Os cristãos acorrem a um mesmo lugar para a Assembléia Eucarística, encabeçados pelo
próprio Cristo, que é o ator principal da Eucaristia. Ele é o sumo sacerdote da Nova Aliança. É ele mesmo
quem preside invisivelmente toda Celebração Eucarística. É representando-o que o Bispo ou o presbítero
(agindo “em representação de Cristo-Cabeça”) preside a assembléia, toma a palavra depois das leituras,
recebe as oferendas e profere a oração eucarística. Todos têm sua parte ativa na celebração, cada um a seu
modo: os leitores, os que trazem as oferendas, os que dão a comunhão e todo o povo, cujo Amém manifesta a
participação.
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1349 |
A Liturgia da Palavra comporta “os escritos dos profetas”, isto é, o Antigo Testamento, e “as memórias dos
Apóstolos”, isto é, as epístolas e os Evangelhos; depois da homilia, que exorta a acolher esta palavra
como ela verdadeiramente é, isto é, como Palavra de Deus , e a pô-la em prática, vêm as intercessões por
todos os homens, de acordo com a palavra do Apóstolo: “Eu recomendo, pois, antes de tudo, que se façam
pedidos, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens, pelos reis e todos os que detêm a
autoridade” (1Tm 2,1-2).
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1350 |
A apresentação das oferendas (o ofertório): trazem-se então ao altar, por vezes em procissão, o pão e o
vinho que serão oferecidos pelo sacerdote em nome de Cristo no Sacrifício Eucarístico e ali se tornarão o
Corpo e o Sangue de Cristo. Este é o próprio gesto de Cristo na última ceia, “tomando pão e um cálice”.
“Esta oblação, só a Igreja a oferece, pura, ao Criador, oferecendo-lhe com ação de graças o que provém de
sua criação . A apresentação das oferendas ao altar assume o gesto de Melquisedec e entrega os dons do
Criador nas mãos de Cristo. E ele que, em seu sacrifício, leva à perfeição todos os intentos humanos de
oferecer sacrifícios.
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1351 |
Desde os inícios, os cristãos levam, com o pão e o vinho para a Eucaristia, seus dons para repartir com os
que estão em necessidade. Este costume da coleta , sempre atual, inspira-se no exemplo de Cristo que se
fez pobre para nos enriquecer: Os que possuem bens em abundância e o desejam, dão livremente o que lhes
parece bem, e o que se recolhe é entregue àquele que preside. Este socorre os órfãos e viúvas e os que,
por motivo de doença ou qualquer outra razão, se encontram em necessidade, assim como os encarcerados e os
imigrantes; numa palavra, ele socorre todos os necessitados.
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1352 |
A anáfora. Com a Oração Eucarística, oração de ação de graças e de consagração, chegamos ao coração e ao
ápice da celebração. No prefácio, a Igreja rende graças ao Pai, por Cristo, no Espírito Santo, por todas
as suas obras, pela criação, a redenção, a santificação. Toda a comunidade junta-se então a este louvor
incessante que a Igreja celeste, os anjos e todos os santos cantam ao Deus três vezes santo.
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1353 |
Na epiclese ela pede ao Pai que envie seu Espírito Santo (ou o poder de sua bênção) sobre o pão e o vinho,
para que se tornem, por seu poder, o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e para que aqueles que tomam parte
na Eucaristia sejam um só corpo e um só espírito (certas tradições litúrgicas colocam a epiclese depois da
anamnese). No relato da instituição, a força das palavras e da ação de Cristo e o poder do Espírito Santo
tornam sacramentalmente presentes, sob as espécies do pão e do vinho, o Corpo e o Sangue de Cristo, seu
sacrifício oferecido na cruz uma vez por todas.
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1354 |
Na anamnese que segue, a Igreja faz memória da Paixão, da Ressurreição e da volta gloriosa de Cristo
Jesus; ela apresenta ao Pai a oferenda de seu Filho que nos reconcilia com ele. Nas intercessões, a Igreja
exprime que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja do céu e da terra, dos vivos e dos
falecidos, e na comunhão com os pastores da Igreja, o Papa, o Bispo da diocese, seu presbitério e seus
diáconos, e todos os Bispos do mundo inteiro com suas igrejas.
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1355 |
Na comunhão, precedida pela oração do Senhor e pela fração do pão, os fiéis recebem “o pão do céu” e “o
cálice da salvação”, o Corpo e o Sangue de Cristo, que se entregou “para a vida do mundo” (Jo
6,51):
Porque este pão e este vinho foram, segundo a antiga expressão, “eucaristizados ”, “chamamos este alimento
de Eucaristia, e a ninguém é permitido participar na Eucaristia senão àquele que admitindo como
verdadeiros os nossos ensinamentos e tendo sido purificado pelo Batismo para a remissão dos pecados e para
o novo nascimento, levar uma vida como Cristo ensinou”.
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V. O sacrifício sacramental: ação de graças, memorial, presença
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1356 |
Se os cristãos celebram a Eucaristia desde as origens, e sob uma forma que, em sua substância, não sofreu
alteração através da grande diversidade dos tempos e das liturgias, é porque temos consciência de estarmos
ligados ao mandato do Senhor, dado na véspera de sua paixão: “Fazei isto em memória de mim” (1 Cor 11
,24-25).
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1357 |
Cumprimos esta ordem do Senhor celebrando o memorial de seu sacrifício. Ao fazermos isto, oferecemos ao
Pai o que ele mesmo nos deu: os dons de sua criação, o pão e o vinho, que pelo poder do Espírito Santo e
pelas palavras de Cristo se tornaram o Corpo e o Sangue de Cristo, o qual, assim, se torna real e
misteriosamente presente.
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1358 |
Por isso, temos de considerar a Eucaristia:
- como ação de graças e louvor ao Pai;
- como memorial sacrifical de Cristo e de seu corpo;
como presença de Cristo pelo poder de sua palavra e de seu Espírito.
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1358 |
A AÇÃO DE GRAÇAS E O LOUVOR AO PAI
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1359 |
A Eucaristia, sacramento de nossa salvação realizada por Cristo na cruz, é também um sacrifício de louvor
em ação de graças pela obra da criação. No sacrifício eucarístico, toda a criação amada por Deus é
apresentada ao Pai por meio da Morte e da Ressurreição de Cristo. Por Cristo, a Igreja pode oferecer o
sacrifício de louvor em ação de graças por tudo o que Deus fez de bom, de belo e de justo na criação e na
humanidade.
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1360 |
A Eucaristia é um sacrifício de ação de graças ao Pai, unia bênção pela qual a Igreja exprime seu
reconhecimento a Deus por todos os seus benefícios, por tudo o que ele realizou por meio da criação, da
redenção e da santificação. Eucaristia significa, primeiramente, “ação de graças”.
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1361 |
A Eucaristia é também o sacrifício de louvor por meio do qual a Igreja canta a glória de Deus em toda a
criação. Este sacrifício de louvor só é possível através de Cristo: Ele une os fiéis à sua pessoa, ao seu
louvor e à sua intercessão, de sorte que o sacrifício de louvor ao Pai é oferecido por Cristo e com ele
para ser aceito nele.
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O MEMORIAL SACRIFICAL DE CRISTO E DE SEU CORPO, A IGREJA
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1362 |
A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único
sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois
das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial.
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1363 |
No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos dos
acontecimento do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens . A
celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que
Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo
tomam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.
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1364 |
O memorial recebe um sentido novo no Novo Testamento. Quando a Igreja celebra a Eucaristia, rememora a
páscoa de Cristo, e esta se toma presente: o sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas na cruz
torna-se sempre atual : “Todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pelo qual Cristo
nessa páscoa foi imolado, efetua-se a obra de nossa redenção .”
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1365 |
Por ser memorial da páscoa de Cristo, a Eucaristia é também um sacrifício. O caráter sacrifical da
Eucaristia é manifestado nas próprias palavras da instituição: “Isto é o meu Corpo que será entregue por
vós”, e “Este cálice é a nova aliança em meu Sangue, que vai ser derramado por vós” (Lc 22,19-20). Na
Eucaristia, Cristo dá este mesmo corpo que, entregou por nós na cruz, o próprio sangue que “derramou por
muitos para remissão dos pecados” (Mt 26,28).
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1366 |
A Eucaristia é, portanto, um sacrifício porque representa (torna presente) o Sacrifício da Cruz, porque
dele é memorial e porque aplica seus frutos:
[Cristo] nosso Deus e Senhor ofereceu-se a si mesmo a Deus Pai uma única vez, morrendo como intercessor
sobre o altar da cruz, a fim de realizar por eles (os homens) uma redenção eterna. Todavia, como sua morte
não devia pôr fim ao seu sacerdócio (Hb 7,24.27), na última ceia, “na noite em que foi entregue (1 Cor
11,13), quis deixar à Igreja, sua esposa muito amada, um sacrifício visível (como o reclama a natureza
humana) em que seria representado (feito presente) o sacrifício cruento que ia realizar-se uma vez por
todas uma única vez na cruz, sacrifício este cuja memória haveria de perpetuar-se até o fim dos séculos (l
Cor 11,23) e cuja virtude salutar haveria de aplicar-se à remissão dos pecados que cometemos cada dia.
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1367 |
O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: “É uma só e mesma vítima, é o
mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a
maneira de oferecer difere ”. “E porque neste divino sacrifício que se realiza na missa, este mesmo
Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado
de maneira incruenta, este sacrifício é verdadeiramente propiciatório”.
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1368 |
A Eucaristia é também o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o corpo de Cristo, participa da oferta de
sua Cabeça. Com Cristo, ela mesma é oferecida inteira. Ela se une à sua intercessão junto ao Pai por todos
os homens. Na Eucaristia, o sacrifício de Cristo se torna também o sacrifício dos membros de seu Corpo. A
vida dos fiéis, seu louvor, seu sofrimento, sua oração, seu trabalho são unidos aos de Cristo e à sua
oferenda total, e adquirem assim um valor novo. O sacrifício de Cristo, presente sobre o altar, dá a todas
as gerações de cristãos a possibilidade de estarem unidos à sua oferta.
Nas catacumbas, a Igreja é muitas vezes representada como uma mulher em oração, com os braços largamente
abertos em atitude de orante. Como Cristo que estendeu os braços na cruz, ela se oferece e intercede por
todos os homens, por meio dele, com ele e nele.
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1369 |
A Igreja inteira está unida à oferta e à intercessão de Cristo. Encarregado do ministério de Pedro na
Igreja, o Papa está associado a cada celebração da Eucaristia em que ele é mencionado como sinal e
servidor da unidade da Igreja universal. O Bispo do lugar é sempre responsável pela Eucaristia, mesmo
quando é presidida por um presbítero; seu nome é nela pronunciado para significar que é ele quem preside a
Igreja particular, em meio ao presbitério e com a assistência dos diáconos. A comunidade intercede assim
por todos os ministros que, por ela e com ela, oferecem o Sacrifício Eucarístico:
Que se considere legítima só esta Eucaristia que se faz sob a presidência do Bispo ou daquele a quem este
encarregou. É pelo ministério dos presbíteros que se consuma o sacrifício espiritual dos fiéis, em união
com o sacrifício de Cristo, único mediador, oferecido em nome de toda a Igreja na Eucaristia pelas mãos
dos presbíteros, de forma incruenta e sacramenta até que o próprio Senhor venha.
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1370 |
À oferenda de Cristo unem-se não somente os membros que estão ainda na terra, mas também os que já estão
na glória do céu: é em comunhão com a santíssima Virgem Maria e fazendo memória dela, assim como de todos
os santos e santas, que a Igreja oferece o Sacrifício Eucarístico. Na Eucaristia, a Igreja, com Maria,
está como que ao pé da cruz, unida à oferta e à intercessão de Cristo.
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1371 |
O Sacrifício Eucarístico é também oferecido pelos fiéis defuntos “que morreram em Cristo e não estão ainda
plenamente purificados”, para que possam entrar na luz e na paz de Cristo:
Enterrai este corpo onde quer que seja! Não tenhais nenhuma preocupação por ele! Tudo o que vos peço é que
vos lembreis de mim no altar do Senhor onde quer que estejais.
Em seguida, oramos [na anáfora] pelos santos padres e Bispos que faleceram, e em geral por todos os que
adormeceram antes de nós acreditando que haverá muito grande benefício para as almas, em favor das quais a
súplica é oferecida, enquanto se encontra presente a santa e tão temível vítima. (...) Ao apresentarmos a
Deus nossas súplicas pelos que adormeceram, ainda que fossem pecadores, nós (...) apresentamos o Cristo
imolado por nossos pecados, tomando propício, para eles e para nós, o Deus amigo dos homens.
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1372 |
Santo Agostinho resumiu admiravelmente esta doutrina que nos incita a uma participação cada vez mais
completa no sacrifício de nosso redentor, que celebramos na Eucaristia:
Esta cidade remida toda inteira, isto é, a assembléia e a sociedade dos santos, é oferecida a Deus como um
sacrifício universal pelo Sumo Sacerdote que, sob a forma de escravo, chegou a ponto de oferecer-se por
nós em sua paixão, para fazer de nós o corpo de uma Cabeça tão grande. (...) Este é o sacrifício dos
cristãos: “Em muitos, ser um só corpo em Cristo” (Rm 12,5). E este sacrifício, a Igreja não cessa de
reproduzi-lo no sacramento do altar bem conhecido pelos fiéis, onde se vê que naquilo que oferece, se
oferece a si mesma.
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1359 |
A PRESENÇA DE CRISTO PELO PODER DE SUA PALAVRA E DO ESPÍRITO SANTO
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1373 |
“Cristo Jesus, aquele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, aquele que está à direita de Deus e que
intercede por nós” (Rm 8,34), está presente de múltiplas maneiras em sua Igreja : em sua Palavra, na
oração de sua Igreja, “lá onde dois ou três estão reunidos em meu nome” (Mt 18,20), nos pobres, nos
doentes, nos presos , em seus sacramentos, dos quais ele é o autor, no sacrifício da missa e na pessoa do
ministro. Mas “sobretudo (está presente) sob as espécies eucarísticas”.
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1374 |
O modo de presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos
os sacramentos e faz com que da seja “como que o coroamento da vida espiritual e o fim ao qual tendem
todos os sacramentos ”. No santíssimo sacramento da Eucaristia estão “contidos verdadeiramente, realmente
e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e,
por conseguinte, o Cristo todo ” . “Esta presença chama-se 'real' não por exclusão, como se as outras não
fossem 'reais', mas por antonomásia, porque é substancial e porque por ela Cristo, Deus e homem, se toma
presente completo.”
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1375 |
É pela conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo que este se torna presente em tal
sacramento. Os Padres da Igreja afirmaram com firmeza a fé da Igreja na eficácia da Palavra de Cristo e da
ação do Espírito Santo para operar esta conversão. Assim, São João Crisóstomo declara:
Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem Corpo e Sangue de Cristo, mas o próprio
Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia essas palavras, mas sua
eficácia e a graça são de Deus. Isto é o meu Corpo, diz ele. Estas palavras transformam as coisas
oferecidas.
E Santo Ambrósio afirma acerca desta conversão: Estejamos bem persuadidos de que isto não é o que a
natureza formou, mas o que a bênção consagrou, e que a força da bênção supera a da natureza, pois pela
bênção a própria natureza mudada. Por acaso a palavra de Cristo, que conseguiu fazer do nada o que não
existia, não poderia mudar as coisas existentes naquilo que ainda não eram? Pois não é menos dar às coisas
a sua natureza primeira do que mudar a natureza delas.
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1376 |
O Concílio de Trento resume a fé católica ao declarar “Por ter Cristo, nosso Redentor, dito que aquilo que
oferecia sob a espécie do pão era verdadeiramente seu Corpo, sempre se teve na Igreja esta convicção, que
O santo Concílio declara novamente: pela consagração do pão e do vinho opera-se a mudança de toda a
substância do pão na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda a substância do vinho na
substância do seu Sangue; esta mudança, a Igreja católica denominou-a com acerto e exatidão
transubstanciação”.
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1377 |
A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as
espécies eucarísticas. Cristo está presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das
partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo.
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1378 |
O culto da Eucaristia. Na liturgia da missa, exprimimos nossa fé na presença real de Cristo sob as
espécies do pão e do vinho, entre outras coisas, dobrando os joelhos, ou inclinando-nos profundamente em
sinal de adoração do Senhor. “A Igreja católica professou e professa este culto de adoração que é devido
ao sacramento da Eucaristia não somente durante a Missa, mas também fora da celebração dela, conservando
com o máximo cuidarem com solenidade, levando-as em procissão .
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1379 |
A santa reserva (tabernáculo) era primeiro destinada a guardar dignamente a Eucaristia para que pudesse
ser levada, fora da missa, aos doentes e aos ausentes. Pelo aprofundamento da fé na presença real de
Cristo em sua Eucaristia, a Igreja tomou consciência do sentido da, adoração silenciosa do Senhor presente
sob as espécies eucarísticas. É por isso que o tabernáculo deve ser colocado em um local particularmente
digno da igreja; deve ser construído de tal forma que sublinhe e manifeste a verdade da presença real de
Cristo no santo sacramento.
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1380 |
É altamente conveniente que Cristo tenha querido ficar presente à sua Igreja desta maneira singular. Visto
que estava para deixar os seus em sua forma visível, Cristo quis dar-nos sua presença sacramental; já que
ia oferecer-se na cruz para nos salvar, queria que tivéssemos o memorial do amor com o qual nos amou “até
o fim” (Jo 13,1), até o dom de sua vida. Com efeito, em sua presença eucarística Ele permanece
misteriosamente no meio de nós como aquele que nos amou e que se entregou por nós, e o faz sob os sinais
que exprimem e comunicam este amor: A Igreja e o mundo precisam muito do culto eucarístico. Jesus nos
espera neste sacramento do amor. Não regateemos o tempo para ir encontrá-lo na adoração, na contemplação
cheia de fé e aberta a reparar as faltas graves e os delitos do mundo. Que a nossa adoração nunca cesse!
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1381 |
“A presença do verdadeiro Corpo de Cristo e do verdadeiro Sangue de Cristo neste sacramento 'não se pode
descobrir pelos sentidos, diz Santo Tomás, mas só com fé, baseada na autoridade de Deus'. Por isso,
comentando o texto de São Lucas 22,19 (“Isto é o meu Corpo que será entregue por vós”), São Cirilo
declara: 'Não perguntes se é ou não verdade; aceita com fé as palavras do Senhor, porque ele, que é a
verdade, não mente”:
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Com devoção te adoro,
Latente divindade.
Que, sob essas figuras,
Te escondes na verdade;
Meu Coração de pleno
Sujeito a ti, obedece,
Pois que, em te contemplando,
Todo ele desfalece.
A vista, o tato, o gosto,
Certo, jamais te alcança;
Pela audição somente
Te crêem com segurança;
Creio em tudo o que disse
De Deus Filho o Cordeiro.
Nada é mais da verdade
Que tal voz, verdadeiro.
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Adoro te devote,
latens Deitas,
quae sub his figuris
vere latitas.
Tibi se cor meum
totum subiicit,
quia, te contemplans,
totum deficit.
Visus, tactus, gustus
in te falitur,
sed auditu solo
tuto creditur.
Credo quidquid dixil
Dei Filius:
Nil hoc verbo
Veritatis verius
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VI. O banquete pascal
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1382 |
A missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da
cruz, e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mas a celebração do Sacrifício
Eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber
o próprio Cristo que se ofereceu por nós.
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1383 |
O altar, em tomo do qual a Igreja está reunida na celebração da Eucaristia, representa os dois aspectos de
um mesmo mistério: o altar do sacrifício e a mesa do Senhor, e isto tanto mais porque o altar cristão é o
símbolo do próprio Cristo, presente no meio da assembléia de seus fiéis, ao mesmo tempo como vítima
oferecida por nossa reconciliação e como alimento celeste que se dá a nós. “Com efeito, que é o altar de
Cristo senão a imagem do Corpo de Cristo?” - diz Santo Ambrósio ; e alhures: “O altar representa o Corpo
[de Cristo], e o Corpo de Cristo está sobre o altar ”. A liturgia exprime esta unidade do sacrifício e da
comunhão em muitas orações. Assim, a Igreja de Roma ora em sua anáfora:
Nós vos suplicamos que ela seja levada à vossa presença, para que, ao participarmos deste altar, recebendo
o Corpo e o Sangue de vosso Filho, sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu .
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“TOMAI E COMEI DELE TODOS VÓS”: A COMUNHÃO
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1384 |
O Senhor nos convida insistentemente a recebê-lo no sacramento da Eucaristia: “Em verdade, em verdade, vos
digo: se não comerdes a Carne do Filho do homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós” (Jo
6,53).
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1385 |
Para responder a este convite, devemos preparar-nos para este momento tão grande e tão santo. São Paulo
exorta a um exame de consciência: “Todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente
será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Por conseguinte que cada um examine a si mesmo antes de comer
desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria
condenação” (1 Cor 11,27-29). Quem está consciente de um pecado grave deve receber o sacramento da
reconciliação antes de receber a comunhão.
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1386 |
Diante da grandeza deste sacramento, o fiel só pode repetir humildemente e com fé ardente a palavra do
Centurião : “Domine, non sum dignus ut mires sub tectum meum sed tantum dic verbo et sanabitur anima mea -
Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo ”. E na
divina liturgia de São João Crisóstomo os fiéis oram no mesmo espírito:
Da vossa ceia mística fazei-me participar hoje, ó Filho de Deus. Pois não revelarei o Mistério aos vossos
inimigos, nem vos darei o beijo de Judas. Mas, como o ladrão, clamo a vós: Lembrai-vos de mim, Senhor, no
vosso reino.
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1387 |
A fim de se prepararem convenientemente para receber este sacramento, os fiéis observarão o jejum
prescrito em sua Igreja . A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a
alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede.
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1388 |
É consentâneo com o próprio sentido da Eucaristia que os fiéis, se tiverem as disposições requeridas ,
comunguem quando participarem da missa : “Recomenda-se muito aquela participação mais perfeita à missa,
pela qual os fiéis, depois da comunhão do sacerdote, comungam o Corpo do Senhor do mesmo sacrifício”.
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1389 |
A Igreja obriga os fiéis “a participar da divina liturgia aos domingos e nos dias festivos ”e a receber a
Eucaristia pelo menos uma vez ao ano, se possível no tempo pascal , preparados pelo sacramento da
reconciliação. Mas recomenda vivamente aos fiéis que recebam a santa Eucaristia nos domingos e dias
festivos, ou ainda com maior freqüência, e até todos os dias.
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1390 |
Graças à presença sacramental de Cristo sob cada uma das espécies, a comunhão somente sob a espécie do pão
permite receber todo o fruto de graça da Eucaristia. Por motivos pastorais, esta maneira de comungar
estabeleceu-se legitimamente como a mais habitual no rito latino. “A santa comunhão realiza-se mais
plenamente sob sua forma de sinal quando se faz sob as duas espécies. Pois sob esta forma o sinal do
banquete eucarístico é mais plenamente realçado.” Nos ritos orientais, esta é a forma habitual de
comungar.
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OS FRUTOS DA COMUNHÃO
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1391 |
A comunhão aumenta a nossa união com Cristo. Receber a Eucaristia na comunhão traz como fruto principal a
união intima o com Cristo Jesus. Pois o Senhor diz: “Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue permanece
em mim e eu nele” (Jo 6,56). A vida em Cristo tem seu fundamento no banquete eucarístico: “Assim como o
Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim” (Jo
6,57):
Quando nas festas do Senhor os fiéis recebem o Corpo do Filho, proclamam uns aos outros a Boa Nova de que
é dado o penhor da vida, como quando o anjo disse a Maria de Mágdala: “Cristo ressuscitou!”. Eis que agora
também a vida e a ressurreição são conferidas àquele que recebe o Cristo.
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1392 |
O que o alimento material produz em nossa vida corporal, a comunhão o realiza de maneira admirável em
nossa vida espiritual. A comunhão da Carne de Cristo ressuscitado, “vivificado pelo Espírito Santo e
vivificante ”, conserva, aumenta e renova a vida da graça recebida no Batismo. Este crescimento da vida
cristã precisa ser alimentado pela Comunhão Eucarística, pão da nossa peregrinação, até o momento da
morte, quando nos ser dado como viático.
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1393 |
A comunhão separa-nos do pecado. O Corpo de Cristo que recebemos na comunhão é “entregue por nós”, e o
Sangue que bebemos é “derramado por muitos para remissão dos pecados”. Por isso a Eucaristia não pode
unir-nos a Cristo sem purificar-nos ao mesmo tempo dos pecados cometidos e sem preservar-nos dos pecados
futuros:
“Toda vez que o recebermos, anunciamos a morte do Senhor ”. Se anunciamos a morte do Senhor, anunciamos a
remissão dos pecados. Se, toda vez que o seu Sangue é derramado, o é para a remissão dos pecados, devo
recebê-lo sempre, para que perdoe sempre os meus pecados. Eu que sempre peco, devo ter sempre um remédio .
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1394 |
Como o alimento corporal serve para restaurar a perda das forças, a Eucaristia fortalece a caridade que,
na vida diária, tende a arrefecer; e esta caridade vivificada apaga os pecados veniais . Ao dar-se a nós,
Cristo reaviva nosso amor e nos torna capazes de romper as amarras desordenadas com as criaturas e de
enraizar-nos nele: Visto que Cristo morreu por nós por amor, quando fazemos memória de sua morte no
momento do sacrifício pedimos que o amor nós seja concedido pela vinda do Espírito Santo; pedimos
humildemente que em virtude deste amor, pelo qual Cristo quis morrer por nós, nós também, recebendo a
graça do Espírito Santo, possamos considerar o mundo como crucificado para nós, e sejamos nós mesmos
crucificados para o mundo. (...)Tendo recebido o dom de amor morramos para o pecado e vivamos para Deus.
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1395 |
Pela mesma caridade que acende em nós, a Eucaristia nos preserva dos pecados mortais futuros. Quanto mais
participarmos da vida de Cristo e quanto mais progredirmos em sua amizade, tanto mais difícil de ele
separar-nos pelo pecado mortal. A Eucaristia não é destinada a perdoar pecados mortais. Isso é próprio do
sacramento da reconciliação. É próprio da Eucaristia ser o sacramento daqueles que estão na comunhão plena
da Igreja.
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1396 |
A unidade do corpo místico: a Eucaristia faz a Igreja. Os que recebem a Eucaristia estão unidos mais
intimamente a Cristo. Por isso mesmo, Cristo os une a todos os fiéis em um só corpo, a Igreja. A comunhão
renova, fortalece, aprofunda esta incorporação à Igreja, realizada já pelo Batismo. No Batismo fomos
chamados a constituir um só corpo . A Eucaristia realiza este apelo: “O cálice de bênção que abençoamos
não é comunhão com o Sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o Corpo de Cristo? Já que há
um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão” (1Cor
10,16-17).
Se sois o corpo e os membros de Cristo, é o vosso sacramento que é colocado sobre a mesa do Senhor,
recebeis o vosso sacramento. Respondeis “Amém” (“sim, é verdade!”) àquilo que recebeis, e subscreveis ao
responder. Ouvis esta palavra: “o Corpo de Cristo”, e respondeis: “Amém”. Sede, pois, um membro de Cristo,
para que o vosso Amém seja verdadeiro.
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1397 |
A Eucaristia compromete com os pobres. Para receber na verdade o Corpo e o Sangue de Cristo entregues por
nós, devemos reconhecer o Cristo nos mais pobres, seus irmãos: Degustaste o Sangue do Senhor e não
reconheces sequer o teu irmão. Desonras esta própria mesa, não julgando digno de compartilhar do teu
alimento aquele que foi julgado digno de participar desta mesa. Deus te libertou de todos os teus pecados
e te convidou para esta mesa. E tu, nem mesmo assim, te tornaste mais misericordioso.
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1398 |
A Eucaristia e a unidade dos cristãos. Diante da grandeza deste mistério, Santo Agostinho exclama: “Ó
sacramento da piedade! Ó sacramento da unidade! Ó vínculo da caridade!”. Quanto mais dolorosas se fazem
sentir as divisões da Igreja que rompem a participação comum à mesa do Senhor, tanto mais prementes são as
orações ao Senhor para que voltem os dias da unidade completa de todos os que nele crêem.
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1399 |
As Igrejas orientais que não estão em comunhão plena com a Igreja católica celebram a Eucaristia com um
grande amor. “Essas Igrejas, embora separadas, têm verdadeiros sacramentos - principalmente, em virtude da
sucessão apostólica, o sacerdócio e a Eucaristia -, que as unem intimamente a nós .” Por isso certa
comunhão in sacris na Eucaristia é “não somente possível, mas até aconselhável, em circunstâncias
favoráveis e com a aprovação da autoridade eclesiástica”.
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1400 |
As comunidades eclesiais oriundas da Reforma, separadas da Igreja católica, “em razão sobretudo da
ausência do sacramento da ordem, não conservaram a substância própria e integral do mistério eucarístico
”. Por este motivo a intercomunhão eucarística com essas comunidades não é possível para a Igreja
católica. Todavia, essas comunidades eclesiais, “quando fazem memória, na Santa ceia, da morte e da
ressurreição do Senhor, professam que a vida consiste na comunhão com Cristo e esperam sua volta
gloriosa”.
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1401 |
Quando urge uma necessidade grave, a critério do ordinário, os ministros católicos podem dar os
sacramentos Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos) aos outros cristãos que não estão em plena
comunhão com a Igreja católica, mas que os pedem espontaneamente: é preciso então que manifestem a fé
católica no tocante a esses sacramentos e que apresentem as disposições exigidas.
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VII. A Eucaristia - “penhor da glória futura”
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1402 |
Em uma oração, a Igreja aclama o mistério da Eucaristia: “O sacrum convivium in quo Christus sumitur.
Recolitur memoria passionis eius; mens impletur gratia etffiturae gloriae nobis pignus datur - O sagrado
banquete, em que de Cristo nos alimentamos. Celebra-se a memória de sua Paixão, o espírito é repleto de
graças e se nos dão penhor da glória ”. Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa do Senhor, se por nossa
comunhão ao altar somos repletos “de todas as graças e bênçãos do céu ”, a Eucaristia também a antecipação
da glória celeste.
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1403 |
Quando da última Ceia, o Senhor mesmo dirigia o olhar de seus discípulos para a realização da Páscoa no
Reino de Deus: “Desde agora não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco beberei o
vinho novo no Reino de meu Pai” (Mt 26,29). Toda vez que a Igreja celebra a Eucaristia lembra-se desta
promessa, e seu olhar se volta para “aquele que vem” (Ap 1,4). Em sua oração, suspira por sua vinda:
“Maran athá” (1 Cor 16,22), “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,20), “Venha vossa graça e passe este mundo!”
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1404 |
A Igreja sabe que, desde agora, o Senhor vem em sua Eucaristia, e que ali Ele está, no meio de nós.
Contudo, esta presença é velada. Por isso, celebramos a Eucaristia “expectantes beatam spem et adventum
Salvatoris nostri Jesu Christi - aguardando a bem-aventurada esperança e a vinda de nosso Salvador Jesus
Cristo ”, pedindo “saciar-nos eternamente da vossa glória, quando enxugardes toda lágrima dos nossos
olhos. Então, contemplando-vos como sois, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os
vossos louvores, por Cristo, Senhor nosso”.
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1405 |
Desta grande esperança, a dos céus novos e da terra nova nos quais habitará a justiça, não temos penhor
mais seguro, sinal mais manifesto do que a Eucaristia. Com efeito, toda vez que é celebrado este mistério,
“opera-se a obra da nossa redenção” e nós “partimos um mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto
não para a morte, mas para a vida eterna em Jesus Cristo ”.
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